30 de novembro de 2013

"L'amour peut faire qu'un homme devienne bête, l'amour peut faire aussi qu'un homme laid devienne beau."

La belle et la bête (1946), Jean Cocteau

22 de novembro de 2013

Forçar o destino

"Être cinéaste… c’est répondre aux aléas, (…) transformer ses faiblesses en force, c’est se révéler et révéler au spectateur une part de lui-même, forcer 
le destin pour donner naissance au film."  

F. T.

9 de novembro de 2013

O espelho mágico

A bonita exposição sobre George Méliès e os inícios do cinema, em Madrid, está ganha à partida: um texto escrito sobre um espelho em que o visitante se vê reflectido. O centro do cinema é esse - somos nós, os nossos rostos e os nossos corpos, e é daí que vem toda a sua magia, imaginação, e verdade. Como não ter esperança no homem quando ele próprio é responsável pela invenção desse imaginário? Somos mais do que aquilo que aparentamos, e é naquilo que aparentamos ser que guardamos a nossa capacidade para nos lançarmos ao mundo: amar, criar, e imaginar. Sim, existe algo mais do que a aparência das coisas, e esse mundo desconhecido é algo que criamos e que aprendemos a percorrer. Nada como esse espelho mágico para recentrar o sonho e a realidade dentro das dúvidas e hesitações que camuflam os nossos passos.

4 de novembro de 2013

"Faut-il donc tant de fois te le faire redire ?
Ah ! Lâche, fais l'amour, et renonce à l'empire.
Au bout de l'univers va, cours te confiner,
Et fais place à des coeurs plus dignes de régner.
Sont-ce là ces projets de grandeur et de gloire
Qui devaient dans les coeurs consacrer ma mémoire ?
Depuis huit jours je règne ; et jusques à ce jour,
Qu'ai-je fait pour l'honneur ? J'ai tout fait pour l'amour."


(Bérénice, Jean Racine)

25 de outubro de 2013

Reviver

"Comment étudier un film ? Comment écrire ? 1) Trouver le centre de gravité du film, l'axe autour duquel gravite la pensée de l'auteur : un mot, un sentiment, une métaphore. 2) Tout le reste semblera ensuite avoir une nouvelle signification, s'organisant autour de ce mot choisi en fonction du sentiment qu'il évoque. 3) Ne pas expliquer le film mais le revivre. 4) Remplacer la description extérieure par la communion intérieure."

(François Truffaut, diário, Novembro 1952; Dictionnaire de la pensée du cinéma, Antoine de Baecque, Philippe Chevalier)

23 de outubro de 2013

"And as I cross the bridge at Sèvres, looking to the right of me and the left, crossing any bridge, whether it be over the Seine, the Marne, the Ourcq, the Aude, the Loire, the Lot, the River Shannon or the Liffey, the East River or the Hudson, the Mississippi, the Colorado, the Amazon, the Orinoco, the Jordan, the Tigris, the Iriwaddy, crossing any and every bridge and I have crossed them all, including the Nile, the Danube, the Volga, the Euphrates, crossing the bridge at Sèvres I yell, like that maniac St. Paul - 'O death, where is thy sting?' In back of me Sèvres, before me Boulogne, but this that passes under me, this Seine that started up somewhere in my myriad simultaneous trickles, this still jet rushing on from out of a million billion roots, this still mirror bearing the clouds along and stifling the past, rushing on and on and on while between the mirror and the clouds moving transversally I, a complete corporate entity, a universe bringing countless centuries to a conclusion, I and this that passes beneath me and this that floats above me and all that surges through me, I and this, I and that joined up in one continuous movement, this Seine and every Seine that is spanned by a bridge is the miracle of a man crossing it on a bicycle."

(Black Spring, Henry Miller)

8 de outubro de 2013

"C'est plus général, c'est le masque que porte chacun dans la vie. J'ai dirigé des acteurs qui avaient un véritable don, celui d'ôter immédiatement ce masque et de créer une identification totale avec leur personnage. Pour moi l'épanouissement d'un acteur doit passer par la recherche de l'être qu'il est profondément, même si ça lui fait peur. Mon travail, c'est de les accompagner. Quand on est tous plongés dans cette recherche, il y a une harmonie extraordinaire. J'ai des souvenirs précis de scènes sur La Graine et le Mullet ou L'Esquive où nous étions tous dans cet état. Et pourtant L'Esquive ou La Faute à Voltaire, ce sont des films tournés en six semaines. Mais qu'importe la durée, il faut enlever du faux, enlever du faux, enlever du faux. Jusqu'à obtenir du vrai."

(Abdellatif Kechiche, Cahiers du Cinéma 693)

4 de outubro de 2013

Vivre sa vie

Quase por acaso, saio de casa e cruzo-me com filmagens de cinema no meu bairro. E encontro aí amigos feitos no cinema, trabalhando com outros que dedicam os seus dias a inventar uma ficção. O cinema é isso, pode inventar tudo aquilo com que sonha porque cresce pelas mãos das pessoas. É por isso que o cinema é belo. E porque é efémera, a rodagem de um filme lembra, por vezes, a vida familiar: um grupo de pessoas, às vezes em acordo, outras vezes em desacordo, unidas durante um certo período de tempo, mas rumando em conjunto para se conseguir uma felicidade conjunta que só virá pelo consenso: fez-se o filme! Ele existe e demos-lhe vida, e foi essa união que fez com que ele nascesse como se desejava. Enquanto as via nesse palco, dedicando-se ao que mais gostavam nesse momento passageiro e efémero, pensei - é também pela sua fragilidade e por ser colectivo que o cinema pode tudo. Porque tanto precisa de quem sonha as suas primeiras imagens como de quem lhes dá a força para que elas entrem na eternidade. Quelle joie!

2 de outubro de 2013

Che ci prepara di bello? Un altro film senza speranza?”

29 de setembro de 2013

Um acto de amor

Li a BD Le bleu est une couleur chaude da última vez que estive em Paris, nesta mesma livraria, e foi a primeira vez que li uma banda-desenhada por inteiro desde que as tinha abandonado, bem jovem, para as imagens em movimento. Hoje, lembro-me dos que falam do cinema antigamente - que os filmes viviam na cabeça dos espectadores ainda antes de serem vistos, quando chegavam aos nossos olhos apenas pela palavra, textos de correspondentes, e pela crítica (sem Internet, sem marketing electrónico). Hoje, La vie d'Adèle, o filme, vive de tal forma na minha cabeça que os batimentos que recebo dele no meu coração apenas me mostram o que, muitas vezes, é esquecido: o cinema, na sua essência, não muda e não morrerá independentemente das formas que vier a tomar. É com as nossas emoções que ele lida, e a sua forma fantasmagórica ou espiritual - como queiram -, age sempre do mesmo modo: entra dentro de nós, sorrateiramente, mexe com o que somos, lê as nossas fantasias, e faz correr o nosso sangue a outra velocidade. É um acto de amor. Até quando foge depois, filme visto, do nosso corpo, e nos faz sempre andar atrás dele, tal a sua marca. Sofro um bocadinho por não saber quando é que poderei ver o filme, mas por outro lado, é como quem sofre um pouco por saber que ainda não pode ver a pessoa que ama. Quando nos encontrarmos, esse amor será maior e os beijos mais apaixonados.