We shall overcome, some day.
Oh, deep in my heart, I do believe
We shall overcome, some day.
We'll walk hand in hand, some day.
Oh, deep in my heart, I do believe
We shall overcome, some day.
We shall live in peace, some day.
Oh, deep in my heart, I do believe
We shall overcome, some day.
We are not afraid, today
Oh, deep in my heart, I do believe
We shall overcome, some day.
"Il faut excuser les solitaires; ce qu'ils écrivent ressemble aux lettres d'amour qui se sont trompées d'adresse." J. Rivette
28 de janeiro de 2014
23 de janeiro de 2014
Vous n'avez encore rien vu
Alain Resnais, entre os vivos, pertence já aos deuses - pergunto-me mesmo se não será como os deuses antigos cujas histórias lemos e que, tomando a forma humana, pegam na realidade para fazer dela um jogo de percepção seu, onde sentimentos respondem a sentimentos, actos respondem a palavras, palavras respondem a olhares. Nada surpreende mas tudo espanta, nada se desfaz mas tudo renasce. Esse jogo com a realidade, tal como esses deuses, Resnais fá-lo porque nada é sem os seus - os rostos humanos que vivem nos actores e as pessoas que se dão à sua encenação. Essa encenação, é sobre nós e para nós, devolvendo-nos a vida com cada poro que se respira - mas sem vangloriá-la -, celebrando o seu movimento, a sua encenação, os seus efeitos, trazendo a verdade para aquilo que vem do artifício. Resnais foi para o cinema e tornou-se cinema, e tal como esses deuses, tudo aquilo em que toca move-se para além do que se explica e se espera.
De forma bem mais simples, a minha maneira de celebrá-lo é dizendo: há duas horas atrás, a minha vida pouco me parecia interessante (dentro da ficção que decidi criar para mim, esta noite, antes de me entregar aos sonhos), mas depois de Vous n'avez encore rien vu, sinto que tudo vi na vida e tudo terei ainda para ver em tudo o que vier pela frente.
Não há lições no cinema de Resnais, há uma vontade de viver e aceitar tudo o que a vida tem de bom, de mau, de bonito, até de feio, e sobretudo, vendo o verdadeiro no falso, e o pequeno jogo falso que fazemos para nós a partir do que sentimos ser verdadeiro. Amour, amour, je t'aime tant, cantava-se numa outra música, num outro filme. Pego nessas palavras e canto-as para mim embalado pelo movimento de Resnais, também me dizendo que me ama porque sem o meu olhar, nada dele, nada de mim existe.
10 de janeiro de 2014
"A distinction is made between artists who work directly from nature and those who work purely from imagination. Neither of these methods should be preferred to the exclusion of the other."
Henri Matisse
31 de dezembro de 2013
Café cantante
Lâmpadas de cristal
e espelhos verdes.
No tablado sombrio,
a Parrala sustém
uma conversão
com a morte.
Chama-a,
não vem,
e volta a chamá-la.
Os homens
aspiram os soluços.
Nos espelhos verdes
longas caudas de seda
agitam-se.
F. Garcia Lorca
e espelhos verdes.
No tablado sombrio,
a Parrala sustém
uma conversão
com a morte.
Chama-a,
não vem,
e volta a chamá-la.
Os homens
aspiram os soluços.
Nos espelhos verdes
longas caudas de seda
agitam-se.
F. Garcia Lorca
23 de dezembro de 2013
Merry Xmas Llewyn Davis
He was a friend of mine, he was a friend of mine
Every time I think about him now, Lord I just can't keep from cryin'
'Cause he was a friend of mine
He died on the road, he died on the road
He never had enough money to pay his room or board
And he was a friend of mine
I stole away and cried, I stole away and cried
'Cause I never had too much money and I never been quite satisfied
And he was a friend of mine
He never done no wrong, he never done no wrong
A thousand miles from home, and he never harmed no one
And he was a friend of mine
He was a friend of mine, he was a friend of mine
Every time I hear his name, Lord I just can't keep from cryin'
'Cause he was a friend of mine.
Every time I think about him now, Lord I just can't keep from cryin'
'Cause he was a friend of mine
He died on the road, he died on the road
He never had enough money to pay his room or board
And he was a friend of mine
I stole away and cried, I stole away and cried
'Cause I never had too much money and I never been quite satisfied
And he was a friend of mine
He never done no wrong, he never done no wrong
A thousand miles from home, and he never harmed no one
And he was a friend of mine
He was a friend of mine, he was a friend of mine
Every time I hear his name, Lord I just can't keep from cryin'
'Cause he was a friend of mine.
12 de dezembro de 2013
Adèle, c'est moi
Os últimos passos da Adèle de Kechiche fazem com que ela não parta sozinha, nem nós quando o filme depois se fecha - iremos juntos com ela até a esse futuro que desconhecemos mas que sabemos ser inevitável para quem deseja viver, amar, fazer os seus lutos.
Essa Adèle que caminha connosco no fim do filme leva-me inconscientemente a uma outra que, com o passar dos dias, me faz voltar a um filme - a Adèle de Truffaut, Adèle H., sem apelido, por ser filha do homem mais famoso do mundo (Hugo), e por procurar, ardentemente, desesperadamente, o seu próprio amor, o concretizar da sua paixão que transportou da sua vida e do seu olhar para alguém que ela já amou. Um amour fou que se torna obsessão até cair na loucura, estado máximo da solidão e, também, desse amor que deseja conquistar tudo - viajar por um oceano, recusar todos os estados civis, recusar todos os nomes, e ser apenas essência, sem corpo, sem mente, apenas abstracção do sentido mais poderoso (e mortífero) de todos.
Essa Adèle vive também comigo e reencontro-a, sozinha, numa prateleira de uma loja dentro de muitos outros filmes. No meio desse cinema todo, Adèle partiu sozinha e terminou a sua vida sozinha, mas amou como ninguém (e como ninguém pode amar). Há uma parte de mim que conhece Adèle e que sabe, talvez (arrisco), aquilo que ela viveu. Outra parte sabe que essa vida fica no cinema, não se pode viver na realidade. Teorias, passados, e futuros de lado, olho para essa capa do filme, no meio de todas as outras que outras pessoas levam para as suas casas, para as casas de outros, vejo-a no seu rosto puro, absoluto, e que fala por todos os nomes, e penso, com todo o meu calor e a minha temperança - Adèle, c'est moi.
30 de novembro de 2013
"L'amour peut faire qu'un homme devienne bête, l'amour peut faire aussi qu'un homme laid devienne beau."
La belle et la bête (1946), Jean Cocteau
22 de novembro de 2013
Forçar o destino
"Être cinéaste… c’est répondre aux aléas, (…) transformer ses
faiblesses en force, c’est se révéler et révéler au spectateur une part
de lui-même, forcer
le destin pour donner naissance au film."
F. T.
9 de novembro de 2013
O espelho mágico
A bonita exposição sobre George Méliès e os inícios do cinema, em Madrid, está ganha à partida: um texto escrito sobre um espelho em que o visitante se vê reflectido. O centro do cinema é esse - somos nós, os nossos rostos e os nossos corpos, e é daí que vem toda a sua magia, imaginação, e verdade. Como não ter esperança no homem quando ele próprio é responsável pela invenção desse imaginário? Somos mais do que aquilo que aparentamos, e é naquilo que aparentamos ser que guardamos a nossa capacidade para nos lançarmos ao mundo: amar, criar, e imaginar. Sim, existe algo mais do que a aparência das coisas, e esse mundo desconhecido é algo que criamos e que aprendemos a percorrer. Nada como esse espelho mágico para recentrar o sonho e a realidade dentro das dúvidas e hesitações que camuflam os nossos passos.
4 de novembro de 2013
"Faut-il donc tant de fois te le faire redire ?
Ah ! Lâche, fais l'amour, et renonce à l'empire.
Au bout de l'univers va, cours te confiner,
Et fais place à des coeurs plus dignes de régner.
Sont-ce là ces projets de grandeur et de gloire
Qui devaient dans les coeurs consacrer ma mémoire ?
Depuis huit jours je règne ; et jusques à ce jour,
Qu'ai-je fait pour l'honneur ? J'ai tout fait pour l'amour."
(Bérénice, Jean Racine)
Ah ! Lâche, fais l'amour, et renonce à l'empire.
Au bout de l'univers va, cours te confiner,
Et fais place à des coeurs plus dignes de régner.
Sont-ce là ces projets de grandeur et de gloire
Qui devaient dans les coeurs consacrer ma mémoire ?
Depuis huit jours je règne ; et jusques à ce jour,
Qu'ai-je fait pour l'honneur ? J'ai tout fait pour l'amour."
(Bérénice, Jean Racine)
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