He was a friend of mine, he was a friend of mine
Every time I think about him now, Lord I just can't keep from cryin'
'Cause he was a friend of mine
He died on the road, he died on the road
He never had enough money to pay his room or board
And he was a friend of mine
I stole away and cried, I stole away and cried
'Cause I never had too much money and I never been quite satisfied
And he was a friend of mine
He never done no wrong, he never done no wrong
A thousand miles from home, and he never harmed no one
And he was a friend of mine
He was a friend of mine, he was a friend of mine
Every time I hear his name, Lord I just can't keep from cryin'
'Cause he was a friend of mine.
"Il faut excuser les solitaires; ce qu'ils écrivent ressemble aux lettres d'amour qui se sont trompées d'adresse." J. Rivette
23 de dezembro de 2013
12 de dezembro de 2013
Adèle, c'est moi
Os últimos passos da Adèle de Kechiche fazem com que ela não parta sozinha, nem nós quando o filme depois se fecha - iremos juntos com ela até a esse futuro que desconhecemos mas que sabemos ser inevitável para quem deseja viver, amar, fazer os seus lutos.
Essa Adèle que caminha connosco no fim do filme leva-me inconscientemente a uma outra que, com o passar dos dias, me faz voltar a um filme - a Adèle de Truffaut, Adèle H., sem apelido, por ser filha do homem mais famoso do mundo (Hugo), e por procurar, ardentemente, desesperadamente, o seu próprio amor, o concretizar da sua paixão que transportou da sua vida e do seu olhar para alguém que ela já amou. Um amour fou que se torna obsessão até cair na loucura, estado máximo da solidão e, também, desse amor que deseja conquistar tudo - viajar por um oceano, recusar todos os estados civis, recusar todos os nomes, e ser apenas essência, sem corpo, sem mente, apenas abstracção do sentido mais poderoso (e mortífero) de todos.
Essa Adèle vive também comigo e reencontro-a, sozinha, numa prateleira de uma loja dentro de muitos outros filmes. No meio desse cinema todo, Adèle partiu sozinha e terminou a sua vida sozinha, mas amou como ninguém (e como ninguém pode amar). Há uma parte de mim que conhece Adèle e que sabe, talvez (arrisco), aquilo que ela viveu. Outra parte sabe que essa vida fica no cinema, não se pode viver na realidade. Teorias, passados, e futuros de lado, olho para essa capa do filme, no meio de todas as outras que outras pessoas levam para as suas casas, para as casas de outros, vejo-a no seu rosto puro, absoluto, e que fala por todos os nomes, e penso, com todo o meu calor e a minha temperança - Adèle, c'est moi.
30 de novembro de 2013
"L'amour peut faire qu'un homme devienne bête, l'amour peut faire aussi qu'un homme laid devienne beau."
La belle et la bête (1946), Jean Cocteau
22 de novembro de 2013
Forçar o destino
"Être cinéaste… c’est répondre aux aléas, (…) transformer ses
faiblesses en force, c’est se révéler et révéler au spectateur une part
de lui-même, forcer
le destin pour donner naissance au film."
F. T.
9 de novembro de 2013
O espelho mágico
A bonita exposição sobre George Méliès e os inícios do cinema, em Madrid, está ganha à partida: um texto escrito sobre um espelho em que o visitante se vê reflectido. O centro do cinema é esse - somos nós, os nossos rostos e os nossos corpos, e é daí que vem toda a sua magia, imaginação, e verdade. Como não ter esperança no homem quando ele próprio é responsável pela invenção desse imaginário? Somos mais do que aquilo que aparentamos, e é naquilo que aparentamos ser que guardamos a nossa capacidade para nos lançarmos ao mundo: amar, criar, e imaginar. Sim, existe algo mais do que a aparência das coisas, e esse mundo desconhecido é algo que criamos e que aprendemos a percorrer. Nada como esse espelho mágico para recentrar o sonho e a realidade dentro das dúvidas e hesitações que camuflam os nossos passos.
4 de novembro de 2013
"Faut-il donc tant de fois te le faire redire ?
Ah ! Lâche, fais l'amour, et renonce à l'empire.
Au bout de l'univers va, cours te confiner,
Et fais place à des coeurs plus dignes de régner.
Sont-ce là ces projets de grandeur et de gloire
Qui devaient dans les coeurs consacrer ma mémoire ?
Depuis huit jours je règne ; et jusques à ce jour,
Qu'ai-je fait pour l'honneur ? J'ai tout fait pour l'amour."
(Bérénice, Jean Racine)
Ah ! Lâche, fais l'amour, et renonce à l'empire.
Au bout de l'univers va, cours te confiner,
Et fais place à des coeurs plus dignes de régner.
Sont-ce là ces projets de grandeur et de gloire
Qui devaient dans les coeurs consacrer ma mémoire ?
Depuis huit jours je règne ; et jusques à ce jour,
Qu'ai-je fait pour l'honneur ? J'ai tout fait pour l'amour."
(Bérénice, Jean Racine)
25 de outubro de 2013
Reviver
"Comment étudier un film ? Comment écrire ? 1) Trouver le centre de gravité du film, l'axe autour duquel gravite la pensée de l'auteur : un mot, un sentiment, une métaphore. 2) Tout le reste semblera ensuite avoir une nouvelle signification, s'organisant autour de ce mot choisi en fonction du sentiment qu'il évoque. 3) Ne pas expliquer le film mais le revivre. 4) Remplacer la description extérieure par la communion intérieure."
(François Truffaut, diário, Novembro 1952; Dictionnaire de la pensée du cinéma, Antoine de Baecque, Philippe Chevalier)
23 de outubro de 2013
"And as I cross the bridge at Sèvres, looking to the right of me and the left, crossing any bridge, whether it be over the Seine, the Marne, the Ourcq, the Aude, the Loire, the Lot, the River Shannon or the Liffey, the East River or the Hudson, the Mississippi, the Colorado, the Amazon, the Orinoco, the Jordan, the Tigris, the Iriwaddy, crossing any and every bridge and I have crossed them all, including the Nile, the Danube, the Volga, the Euphrates, crossing the bridge at Sèvres I yell, like that maniac St. Paul - 'O death, where is thy sting?' In back of me Sèvres, before me Boulogne, but this that passes under me, this Seine that started up somewhere in my myriad simultaneous trickles, this still jet rushing on from out of a million billion roots, this still mirror bearing the clouds along and stifling the past, rushing on and on and on while between the mirror and the clouds moving transversally I, a complete corporate entity, a universe bringing countless centuries to a conclusion, I and this that passes beneath me and this that floats above me and all that surges through me, I and this, I and that joined up in one continuous movement, this Seine and every Seine that is spanned by a bridge is the miracle of a man crossing it on a bicycle."
(Black Spring, Henry Miller)
8 de outubro de 2013
"C'est plus général, c'est le masque que porte chacun dans la vie. J'ai dirigé des acteurs qui avaient un véritable don, celui d'ôter immédiatement ce masque et de créer une identification totale avec leur personnage. Pour moi l'épanouissement d'un acteur doit passer par la recherche de l'être qu'il est profondément, même si ça lui fait peur. Mon travail, c'est de les accompagner. Quand on est tous plongés dans cette recherche, il y a une harmonie extraordinaire. J'ai des souvenirs précis de scènes sur La Graine et le Mullet ou L'Esquive où nous étions tous dans cet état. Et pourtant L'Esquive ou La Faute à Voltaire, ce sont des films tournés en six semaines. Mais qu'importe la durée, il faut enlever du faux, enlever du faux, enlever du faux. Jusqu'à obtenir du vrai."
(Abdellatif Kechiche, Cahiers du Cinéma 693)
4 de outubro de 2013
Vivre sa vie
Quase por acaso, saio de casa e cruzo-me com filmagens de cinema no meu bairro. E encontro aí amigos feitos no cinema, trabalhando com outros que dedicam os seus dias a inventar uma ficção. O cinema é isso, pode inventar tudo aquilo com que sonha porque cresce pelas mãos das pessoas. É por isso que o cinema é belo. E porque é efémera, a rodagem de um filme lembra, por vezes, a vida familiar: um grupo de pessoas, às vezes em acordo, outras vezes em desacordo, unidas durante um certo período de tempo, mas rumando em conjunto para se conseguir uma felicidade conjunta que só virá pelo consenso: fez-se o filme! Ele existe e demos-lhe vida, e foi essa união que fez com que ele nascesse como se desejava. Enquanto as via nesse palco, dedicando-se ao que mais gostavam nesse momento passageiro e efémero, pensei - é também pela sua fragilidade e por ser colectivo que o cinema pode tudo. Porque tanto precisa de quem sonha as suas primeiras imagens como de quem lhes dá a força para que elas entrem na eternidade. Quelle joie!
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